segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Segunda-feira: muito lentamente

Segunda-feira. Em algum lugar já tinha escrito sobre as segundas-feiras. Alguns dizem que é o dia da preguiça; não o considero como um dia preguiçoso. É o momento em que as rotinas recomeçam, as vezes mais rápido, outras vezes mais lenta. Tudo depende de um certo ‘estado de espírito’. Isso é subjetivo, mas tem muita relação com as expectativas que geramos em nossos projetos pessoais, à maneira como estou encarando a vida, como vejo as coisas acontecerem exterior a própria vontade, como vou me incorporando em tudo isso – se é que podemos mesmo nos incorporar a tudo que acontece no que está em nosso entorno, e mesmo distante.
Hoje, por exemplo, acordei com um pouco mais de disposição para retomar algumas coisas que são urgentes – e que ainda não consegui resolver, como arrumar um emprego – e, projetos paralelos como: escrever meu primeiro livro, atualizar algumas leituras, que já deviam ter sido concluídas. Em geral, não gosto da segunda-feira, mas não é pelas razões que apontei acima. Em um dia paramos tudo e no outro temos que recomeçar. De onde cresci as coisas não paravam nunca, até porque meu pai é autônomo e, cuidar do próprio negócio tem suas vantagens, mas, igualmente, sua carga de obrigação. Então, ele sempre está fazendo alguma coisa. Outo motivo que vejo a segunda-feira, talvez seja uma mistura da minha formação religiosa, somado a um certo estilo de vida que nunca terei, muito inspirado nas pessoas que vivem do processo criativo - ou do campo das artes em geral. Poderia dar exemplos; o melhor dia que acho para me considerar escritor são nos finais de semana, daí trabalhar até a segunda de madrugada, 5h. Isso é utopia, completamente fora da realidade.
O que questiono é sempre as possibilidades. Mas não quero tratar disso, especificamente, mas de como tive duas visões sobre minha vida e a realidade, num mesmo dia. Precisei sair para resolver algumas questões no centro da cidade. Antes, caminhei por vinte minutos. Quando não tenho trabalho pela manhã, gosto de sair por volta das 9 horas. Mesmo estando mais ensolarado e quente, dá pra caminhar mais tranquilamente, porque não há ninguém fazendo o mesmo que eu. Logo cedo, sempre muita gente pelas pistas de caminhada, o problema as vezes nem é esse. Ao invés caminharem, muitos passeiam a passos de tartaruga falando de seus problemas pessoais, ou comentando notícias de jornais sensacionalista. Termina atrapalhando quem vem mais rápido.
Depois da caminhada retomei a leitura, quase esquecida. Depois tomei a decisão de sair. Peguei ônibus, que estranhamente Passava das 13 horas quando cheguei no centro da cidade. Desci na Av. Conde da Boa Vista, na parada “do Shopping”. A primeira coisa que vi e pensei foram sobre as paradas do BRT’s. Projetadas para nossa grandiosa copa do mundo, que se tem hoje são grandes gaiolas, que neste verão serão verdadeiras saunas. Feio, mal projetado, vê-se mesmo a cara daquilo que se faz de qualquer jeito apenas para prestar contas. Sem falar do incômodo, no qual todos tem que passar uma catraca estreita e dura de roda. Já as calçadas a presença de um velho problema: o crescimento da informalidade.
Nas ruas, nas lojas, entre avenidas, poucas pessoas. Percebi um certo desanimo na maneira como as pessoas caminhavam. Tudo estava muito lento, com exceção de um de artistas que faziam uma performasse na avenida. Parei no restaurante para almoçar. Naquele momento era o único cliente. Depois do almoço voltei para casa com a impressão de que há um desanimo na feição das pessoas. Dias atrás me sentia assim. Com aquela sensação de nada podemos fazer a não ser esperar. Seria este o sentimento de todos desta segunda-feira?

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