Segunda-feira. Em algum lugar já tinha escrito sobre as
segundas-feiras. Alguns dizem que é o dia da preguiça; não o
considero como um dia preguiçoso. É o momento em que as rotinas
recomeçam, as vezes mais rápido, outras vezes mais lenta. Tudo
depende de um certo ‘estado de espírito’. Isso é subjetivo, mas
tem muita relação com as expectativas que geramos em nossos
projetos pessoais, à maneira como estou encarando a vida, como vejo
as coisas acontecerem exterior a própria vontade, como vou me
incorporando em tudo isso – se é que podemos mesmo nos incorporar
a tudo que acontece no que está em nosso entorno, e mesmo distante.
Hoje, por exemplo, acordei com um pouco mais de disposição para
retomar algumas coisas que são urgentes – e que ainda não
consegui resolver, como arrumar um emprego – e, projetos paralelos
como: escrever meu primeiro livro, atualizar algumas leituras, que já
deviam ter sido concluídas. Em geral, não gosto da segunda-feira,
mas não é pelas razões que apontei acima. Em um dia paramos tudo e
no outro temos que recomeçar. De onde cresci as coisas não paravam
nunca, até porque meu pai é autônomo e, cuidar do próprio negócio
tem suas vantagens, mas, igualmente, sua carga de obrigação. Então,
ele sempre está fazendo alguma coisa. Outo motivo que vejo a
segunda-feira, talvez seja uma mistura da minha formação religiosa,
somado a um certo estilo de vida que nunca terei, muito inspirado nas
pessoas que vivem do processo criativo - ou do campo das artes em
geral. Poderia dar exemplos; o melhor dia que acho para me considerar
escritor são nos finais de semana, daí trabalhar até a segunda de
madrugada, 5h. Isso é utopia, completamente fora da realidade.
O que questiono é sempre as possibilidades. Mas não quero tratar
disso, especificamente, mas de como tive duas visões sobre minha
vida e a realidade, num mesmo dia. Precisei sair para resolver
algumas questões no centro da cidade. Antes, caminhei por vinte
minutos. Quando não tenho trabalho pela manhã, gosto de sair por
volta das 9 horas. Mesmo estando mais ensolarado e quente, dá pra
caminhar mais tranquilamente, porque não há ninguém fazendo o
mesmo que eu. Logo cedo, sempre muita gente pelas pistas de
caminhada, o problema as vezes nem é esse. Ao invés caminharem,
muitos passeiam a passos de tartaruga falando de seus problemas
pessoais, ou comentando notícias de jornais sensacionalista. Termina
atrapalhando quem vem mais rápido.
Depois da caminhada retomei a leitura, quase esquecida. Depois tomei
a decisão de sair. Peguei ônibus, que estranhamente Passava das 13
horas quando cheguei no centro da cidade. Desci na Av. Conde da Boa
Vista, na parada “do Shopping”. A primeira coisa que vi e pensei
foram sobre as paradas do BRT’s. Projetadas para nossa grandiosa
copa do mundo, que se tem hoje são grandes gaiolas, que neste verão
serão verdadeiras saunas. Feio, mal projetado, vê-se mesmo a cara
daquilo que se faz de qualquer jeito apenas para prestar contas. Sem
falar do incômodo, no qual todos tem que passar uma catraca
estreita e dura de roda. Já as calçadas a presença de um velho
problema: o crescimento da informalidade.
Nas ruas, nas lojas, entre avenidas, poucas pessoas. Percebi um certo
desanimo na maneira como as pessoas caminhavam. Tudo estava muito
lento, com exceção de um de artistas que faziam uma performasse na
avenida. Parei no restaurante para almoçar. Naquele momento era o
único cliente. Depois do almoço voltei para casa com a impressão
de que há um desanimo na feição das pessoas. Dias atrás me sentia
assim. Com aquela sensação de nada podemos fazer a não ser
esperar. Seria este o sentimento de todos desta segunda-feira?
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